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Há anos que eu e meu irmão Tiago Cardoso Petreca trabalhamos com líderes e creio que hoje sejamos os maiores especialistas em aplicar os conceitos do Lencioni, além disso há anos analiso os principais desafios enfrentados por líderes em contextos transculturais e isso desenvolvi em minha especialização no MIT Professional Education , onde esta, era uma das principais disciplinas do curso.  Como venho compartilhando em minhas palestras e workshops, a liderança no século XXI não é apenas sobre resultados - é sobre construir pontes entre culturas, mentalidades e perspectivas diversas.



Foto de Ronaldo Santos



Um ponto que nunca me surpreende é o fato de a comunicação assertiva e efetiva representar o maior desafio para líderes que atuam em todos os ambientes, inclusive os multiculturais.


Sempre digo que a comunicação transcende palavras. Em minha experiência com executivos de diferentes nacionalidades, percebi que o verdadeiro desafio não está apenas no idioma, mas na interpretação cultural das mensagens. Um feedback direto, valorizado em culturas ocidentais, pode ser percebido como agressivo em contextos asiáticos.


Essa percepção de que a comunicação transcende o idioma e se apoia na interpretação cultural é fundamental para uma liderança eficaz. Para aprofundar sua capacidade de se comunicar de forma impactante em qualquer contexto, dominando os princípios que transformam uma mensagem em ação, recomendamos a leitura de 'O poder da comunicação: mandamentos para impactar'. Este artigo complementa a ideia de que a comunicação é uma ferramenta poderosa para construir pontes e garantir que sua mensagem seja compreendida em todos os níveis, em todas as culturas.


A solução está na flexibilidade comunicativa. Líderes de alta performance desenvolvem um repertório de estilos de comunicação, adaptando-se conforme o contexto cultural. Isso significa, por vezes, ser mais direto e objetivo; em outras situações, privilegiar a construção de relacionamentos antes de abordar questões de negócios.


O segundo maior desafio é lidar com o "fator humano" e expressar emoções adequadamente. Este ponto toca profundamente minha filosofia de liderança humanizada.


A expressão emocional varia drasticamente entre culturas. Em minhas consultorias com empresas globais, frequentemente observo líderes ocidentais frustrados com a aparente "falta de feedback" de equipes de outros continentes e vice-versa, enquanto colaboradores de culturas mais reservadas se sentem desconfortáveis com demonstrações emocionais abertas. Você sabia que o conceito de "ubuntu" - filosofia africana, que se traduz como "eu sou porque nós somos", pode nos dar insights sobre isso.


A solução está na alfabetização emocional transcultural. Precisamos desenvolver líderes capazes de:



A tendência a evitar conflitos aparece como terceiro maior desafio. Em meus programas de desenvolvimento de lideranças, costumo dizer: "O conflito não é o problema; é como lidamos com ele que determina nosso sucesso." E como diz Willian Ury, o ?essencial é separar a pessoa do problema?.


Essa habilidade de ressignificar o conflito e separá-lo da pessoa é uma competência crítica para líderes em qualquer cenário, especialmente nos transculturais. Para entender como a liderança adaptativa pode preparar líderes para navegar em ambientes de incerteza, mediando divergências e promovendo o aprendizado contínuo, sugerimos a leitura de 'Liderança Adaptativa: Como Liderar em Cenários de Incerteza'. Ele se alinha perfeitamente à visão de que um líder eficaz transforma o conflito em uma oportunidade de crescimento, ao invés de evitá-lo, fortalecendo a resiliência da equipe.


Em culturas de alto contexto, como a brasileira, tendemos a evitar confrontos diretos, privilegiando a harmonia. Já em ambientes de baixo contexto, como o norte-americano, o confronto direto é muitas vezes valorizado como transparência. Já em muitas comunidades angolanas, existe a figura do "mais velho" ou do conselho comunitário que medeia disputas.


A solução está na ressignificação do conflito. Líderes transculturais eficazes:



A resistência a ideias inovadoras, também é um desafio, contudo, não figura entre os maiores. Isso sugere que líderes globais estão cada vez mais abertos à diversidade de pensamento ? o que é um sinal positivo!


No entanto, minha experiência mostra que ainda existe um longo caminho. Em workshops com equipes multiculturais, frequentemente observo como ideias "não convencionais" são filtradas por vieses culturais inconscientes e até mesmo criticada, ao vivo e na hora, durante os workshops de liderança.


Em minha opinião, a solução está na criação de ecossistemas de inovação transcultural e isso significa quer se deva estabelecer processos que valorizem igualmente contribuições de todas as culturas, criar espaços de experimentação onde diferentes abordagens possam ser testadas e celebrar sucessos que emergem da diversidade de pensamento.


O perfeccionismo e a dificuldade em delegar representam um desafio particularmente interessante no contexto transcultural. O que é considerado "excelência" varia enormemente entre culturas. Lembro-me de um CEO europeu que considerava sua equipe asiática "excessivamente detalhista", enquanto a equipe via o líder como "apressado e superficial". Nenhum estava errado - apenas operavam com diferentes definições culturais de qualidade.


Lembro-me de termos feito um exercício profundo e com quase duas horas de duração e baseados nos 3 preconceitos do Lencioni, onde construímos uma possível solução com foco na negociação de padrões compartilhados. E então chegamos a 3 grandes pontos para esses líderes eficazes, o primeiro foi que eles deveriam estabelecer claramente o que constitui "qualidade" em cada contexto, segundo criar sistemas de delegação que respeitam diferentes expectativas culturais por fim desenvolver métricas de sucesso que fazem sentido em múltiplos contextos culturais. Ao final deste exercício, todos saíram com seus planos de ações muito bem direcionados.


A rigidez e intolerância completam o quadro de desafios. Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de construir pontes entre diferentes perspectivas torna-se uma competência crítica.


A solução está no desenvolvimento da consciência cultural (Culture Awareness). Isso vai além da simples tolerância - trata-se de valorizar genuinamente diferentes perspectivas como fontes de riqueza organizacional.


Em meus programas de mentoria executiva, trabalho com líderes para desenvolver:



Como líderes em um mundo interconectado, nosso desafio não é eliminar diferenças culturais - é transformá-las em vantagens competitivas. A diversidade de pensamento, quando bem gerenciada, torna-se o motor da inovação e da resiliência organizacional.


Convido você a refletir: como sua liderança está navegando esses desafios transculturais? Quais pontes você está construindo? Quais muros precisam ser derrubados?


A jornada da liderança transcultural é contínua e transformadora. Como digo: "Não buscamos líderes perfeitos, mas líderes em constante evolução."


Vamos juntos nessa jornada de transformação e crescimento!