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O século XX foi marcado pelos grandes avanços tecnológicos, abrindo um caminho sem volta e sem paradas, numa busca desenfreada e ousada por invenções que se auto-superam em questão de dias. Quando você estava pensando em comprar um aparelho de MP3 ... já lançaram o MP4.



Foto de Tobias Aeppli



Entretanto, e para a felicidade de todos, se a tecnologia ganha cada vez mais pontos, o homem não fica para trás e hoje, tão importante quanto a ciência, está o fator humano. Inúmeros autores, entre eles Ikaujiro Nonaka, Hirotaka Takeuchi, Thomas Stewart, José C. Terra e Idalberto Chiavenato vêm se dedicando ao tema, mostrando que as empresas de sucesso em seus segmentos têm algumas características comuns no que se refere à gestão, ambiente de trabalho, liderança, postura e aprendizado.


E quando o tema é liderança, o assunto torna-se ainda mais complexo, pois cabe ao líder não apenas persuadir seus colaboradores, mas também tirar de cada um deles o que há de melhor. Não é raro sabermos de grandes talentos que são desperdiçados pela simples falta de percepção de seus líderes, que desconhecendo seu potencial, os colocam para atuar em posições que nada tem a ver com suas aspirações, potencial, conhecimento, força de trabalho e de vontade.


Um verdadeiro gestor conhece como ninguém cada um de seus colaboradores e sabe o que eles têm de melhor, valorizando e estimulando seus aspectos positivos.


O lendário gestor de qualidade Joseph M. Juran, um americano que ajudou o Japão em sua revolução, defende a idéia de que um líder eficaz é aquele que consegue desenvolver pessoas. Caso contrário, as organizações que não contarem com profissionais com essa característica estão fadadas a não encontrarem jamais o caminho do sucesso. E, sem exageros, só tem essa capacidade àquele que interioriza tal papel, dentro ou fora da organização, sempre com olhos bem atentos para desenvolver talentos e competências.



Recrutamento e Seleção


Antes de mais nada, o gestor deve ter certeza que está contando com uma equipe de colaboradores que tenham um mínimo de qualidades para desempenhar as funções que ele espera. Afinal, ninguém pode esperar de um profissional que foi a vida toda chef de cozinha que ele se torne de um dia para o outro o melhor talento em tecnologia da informação! Nesse momento, é fundamental que o recrutamento e a seleção dos profissionais envolvidos seja mais criteriosa.



?Um lider eficaz é aquele que consegue desenvolver pessoas?



Não é tarefa fácil buscar colaboradores que se atendam ao perfil esperado, mas vale lembrar que alguns caminhos podem facilitar nossa procura. São eles:


Rede de contatos pessoal: líderes que já estão a algum tempo na função e possuem uma boa network podem utilizá-la para conseguir algumas indicações.


Clientes, fornecedores ou colaboradores: pessoas que estão envolvidas com o nosso cotidiano podem ser uma excelente fonte de indicação de profissionais competentes e talentosos.


Recrutamento on-line: esta é uma ferramenta rápida, sem custos e sem maiores desgastes para o recrutador, que tem mais facilidade em buscar o perfil desejado pela empresa.


Anúncios em jornais: nem é preciso detalhar o mais antigo e popular método de se procurar profissionais no mercado.


Faculdades e universidades: talentos em formação e pessoas repletas de energia inovadora são facilmente encontradas nas instituições de ensino.


Consultorias: são empresas que oferecem serviços especializados para encontrar o profissional adequado para a função solicitada.



Talentos Exigem Reconhecimento e Treinamento


Inúmeras organizações vivem processos verdadeiramente traumáticos quando o assunto é sucessão ou substituição de um profissional talentoso. Mas isso não significa que os talentos são raros mas que raramente são descobertos e treinados para um dia ocuparem outros postos. Além do desperdício das potencialidades internas isso geralmente resulta em uma grande desmotivação nos profissionais com potencial e capacidade para assumir novos desafios.


Cabe aqui um parêntese lembrando que um líder eficaz sabe como, quando e a quem delegar. Mas, se ele não tiver capacidade para reconhecer as competências de seus colaboradores, tornar-se-á impossível delegar poder e autoridade e encontrar profissionais capazes de ocupar novos postos e cargos, resolver desafios mais complexos, compreender os anseios de seus clientes e mais uma infinidade de ações que juntas significam o sucesso da equipe e da organização. É nesse momento que um profissional verdadeiramente comprometido com sua função faz uso, com muita propriedade, da gestão do conhecimento, a fim de identificar e desenvolver potencialidades.



Atuação e Conhecimento


Na busca por talentos escondidos, o líder deve estar ciente que não basta simplesmente estimular a execução de tarefas desafiadoras; o estímulo à atitude deve estar sempre acompanhado do conhecimento, habilidade, experiência, métodos e contexto. O brilhante poeta alemão Goethe costumava afirmar que não poderia existir nada mais triste do que a ignorância em ação. E atitude sem embasamento é justamente isso; por outro lado, competência sem atitude de nada serve.


Muito além de reter um talento, cabe ao líder ajudá-lo em uma saudável caminhada evolutiva. Para isso, três estratégias essenciais devem ser avaliadas e implantadas. São elas:


1) Detectar e reter talentos;

2) Fomentar redes e mentoring;

3) Criar bases organizadas de informações.



Just In Time Learning


Em nosso dia-a-dia temos pouco contato com os demais colaboradores da organização. Pode parecer um detalhe pequeno, mas a troca de informações e as relações interpessoais são fundamentais para o incentivo ao conhecimento. Colocar juntos um recém-chegado ao lado de um profissional experiente é relevante quando o tema é gestão e transferência de conhecimentos. O líder deve incentivar as pessoas e influenciar a criação de uma cultura onde a adoção desses métodos seja natural e espontânea. Ele deve ainda ensinar a abordar o conhecimento, pedir ajuda e aprender com seus colegas.


Ainda dentro desta prática de incentivo às relações interpessoais o líder poderá fazer uso do just in time learning. A justificativa é fácil: nada é melhor que o próprio ambiente de trabalho para aumentar o aprendizado e o conhecimento. É um momento ainda em que muitas ?arestas? podem ser aparadas e a troca de experiências e informações se dá de forma saudável, sem o ambiente competitivo do dia-a-dia.



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