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Tenho falado sobre liderança espiritualizada e humanizada há anos. Quando terminei meu mestrado em 2013, escrevendo artigos, ouvindo e estudando com uma das professoras que mais me marcou, Mirlene Siqueira, passei a ter mais conhecimento sobre o assunto e mergulhei no tema.


Depois de mais de 12 anos trabalhando, falando e aplicando estes conteúdos que compartilho com líderes de todos os níveis, indústrias e países, creio tenha aprendido mais do que ensinado e transformado lideranças.



Foto de Mo Eid



Agora, quero compartilhar alguns pontos com você, pois esta semana eu revistei artigos e pesquisas que fiz a época do mestrado para me aprofundar mais ainda sobre liderança humanizada e espiritualizada e ontem a noite recebi uma homenagem da DUALL ENGENHARIA, do meu amigo Cristiano Salles que me impactou muito e algumas falas e posicionamento da liderança me fez terminar este artigo hoje.





Uma frase que ouvi ontem da boca dos 3 líderes fundadores foi: somos direcionados para pessoas e por pessoas, nosso legado é transformar a vida de nossos colaboradores. Eles são uma liderança e uma empresa espiritualizada, o que é percebido nas falas e comportamentos de seus colaboradores.


Além disso, refleti sobre a minha jornada de mais de três décadas como especialista em desenvolvimento humano e liderança, e tenho observado uma transformação silenciosa, porém profunda, no mundo corporativo. Enquanto muitos líderes continuam obcecados com métricas, KPIs e resultados financeiros (não é errado, nem ruim), os verdadeiramente visionários já compreenderam que existe uma dimensão invisível, porém palpável, que sustenta o sucesso sustentável além dos resultados: a espiritualidade no ambiente organizacional.


Não me refiro aqui a dogmas religiosos ou rituais específicos, mas sim àquela conexão profunda com valores transcendentes que dá sentido à nossa existência e, consequentemente, ao nosso trabalho. (vou deixar um pdf aqui para você). Como disse Jesus em seu Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos" (Mateus 5:6). Esta fome de justiça, de propósito e de significado é o que move os grandes líderes e suas organizações.


Estudos recentes na área de neurociência e psicologia organizacional comprovam o que muitos líderes intuitivos já sabiam: a integração da dimensão espiritual no ambiente de trabalho produz resultados mensuráveis. Pesquisas conduzidas pela Universidade de Harvard demonstram que organizações que cultivam um ambiente de trabalho espiritualmente nutritivo apresentam índices 40% maiores de engajamento e 33% menos rotatividade.


O Índice de Espiritualidade Organizacional (IEO), desenvolvido pela Professora Mirlene Siqueira, oferece uma ferramenta científica para mensurar esta dimensão antes considerada intangível. O IEO avalia elementos como:



Líderes com alto IEO demonstram consistentemente maior resiliência em tempos de crise, maior capacidade de inovação e melhores resultados financeiros a longo prazo. Não é coincidência que empresas como Natura, Google, Uniodonto e Patagonia, reconhecidas por sua cultura espiritualmente consciente, também sejam líderes em seus segmentos.


Para mim, líderes criam um legado, sua influência transcende o ambiente imediato e eles levantam tantos líderes quanto puderem, movidos por um senso de gratidão e humildade. É um tipo de líder caracterizado por "HUMILDADE E ESPIRITUALIDADE".


A verdadeira medida de um líder, ao final, não é apenas o que ele faz, mas quem ele é e quantos líderes ele consegue desenvolver. A capacidade de um líder espiritualizado é ?desenvolver uma geração de líderes que desenvolverão a próxima geração de líderes" é o cerne da sustentabilidade organizacional e do impacto de médio e longo prazo.


OK, diante disso tudo anotei Cinco Pilares da Liderança Espiritualmente que creio ser imprescindíveis.


Em minha experiência trabalhando com CEOs e equipes executivas, identifiquei estes cinco pilares fundamentais que sustentam uma liderança espiritualmente consciente e quero que você leia com atenção:



1. Autoconhecimento Profundo


O líder espiritualmente consciente inicia sua jornada olhando para dentro. Como ensinou Jesus: "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?" (Mateus 7:3). Antes de liderar outros, é preciso liderar a si mesmo.


Este autoconhecimento não é superficial, mas uma investigação constante de valores, propósitos e sombras. Líderes que praticam a autorreflexão regular tomam decisões mais alinhadas com seus valores essenciais e inspiram autenticidade em suas equipes.



2. Propósito Transcendente


Organizações movidas apenas pelo lucro são como corpos sem alma. O líder espiritualmente consciente articula um propósito que transcende resultados financeiros, conectando o trabalho da organização a uma contribuição maior para a sociedade.


André de Geus ( que foi outro autor que tive que estudar muito para meus artigos), em seu conceito de "organização viva", disse que empresas longevas são aquelas que desenvolvem uma identidade forte baseada em valores e propósito, (falei sobre isso em meu capítulo no livro Reservatório de Valores da Editora Palavra). Estas organizações não apenas sobrevivem, mas florescem porque seus colaboradores encontram significado genuíno em seu trabalho.



3. Compaixão Ativa


A compaixão não é apenas um sentimento, mas uma prática ativa de reconhecer o outro em sua humanidade integral. Jesus nos ensinou: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (João 13:34). No contexto organizacional, isto significa criar ambientes onde as pessoas são valorizadas não apenas por sua produtividade, mas por quem são. E líder vai corrigi-las com dureza e amabilidade. Em verdades que se veem nos olhos!


Estudos da Universidade de Stanford demonstram que líderes compassivos geram maior lealdade, criatividade e bem-estar em suas equipes. A compaixão não é sinal de fraqueza, mas de força e inteligência emocional elevada.



4. Integridade Inabalável


A integridade é a coluna vertebral da liderança espiritualmente consciente. Não se trata apenas de honestidade, mas de coerência entre palavras e ações, entre valores declarados e decisões tomadas.


Como afirmou Jesus: "Seja o seu 'sim', 'sim', e o seu 'não', 'não'" (Mateus 5:37). Líderes íntegros criam culturas de confiança onde a verdade pode ser dita e ouvida, mesmo quando é desconfortável e a vulnerabilidade não se torna fraqueza e nem é utilizada contra os membros do time. Esta transparência é o fundamento para a inovação e a colaboração genuína.





5. Serviço Humilde


O paradoxo da liderança espiritualmente consciente é que sua autoridade deriva do serviço. Jesus ensinou esta verdade profunda quando disse: "Quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir" (Mateus 20:26-28).


O líder que serve coloca as necessidades da equipe e da organização acima das suas próprias, criando um ambiente onde todos se sentem empoderados para contribuir com seu melhor. Esta atitude de serviço gera um ciclo virtuoso de comprometimento e excelência e gera resultados sem que o ego e o status se sobressaiam.


Creio que a implementação destes princípios não é teórica, mas prática. Em meu trabalho com organizações de diversos setores, tenho testemunhado transformações profundas quando líderes abraçam esta dimensão espiritual.


Lembro-me de uma empresa do setor financeiro com a qual trabalhei e que estava enfrentando alta rotatividade e baixo engajamento. Ao implementar práticas de liderança espiritualmente consciente, como momentos de reflexão no início das reuniões, programas de desenvolvimento pessoal e clarificação do propósito organizacional, vimos o engajamento aumentar 47% em apenas seis meses.


Meu pastor e amigo Ed René Kivitz, em suas reflexões sobre espiritualidade no trabalho, destaca que "o trabalho pode ser um templo onde celebramos nossa humanidade compartilhada". Esta perspectiva transforma radicalmente a experiência do trabalho, de um fardo necessário para uma expressão de propósito e significado.


É importante reconhecer que a integração da espiritualidade no ambiente de trabalho enfrenta resistências. Algumas organizações e líderes temem que isso possa ser interpretado como imposição religiosa ou invasão da privacidade. Outras simplesmente não compreendem como operacionalizar estes conceitos aparentemente abstratos.


A chave está em distinguir claramente espiritualidade de religião. Enquanto a religião é um sistema específico de crenças e práticas, a espiritualidade é a busca universal por significado, propósito e conexão. Uma liderança espiritualmente consciente respeita todas as tradições religiosas (ou sua ausência), focando nos valores humanos universais que transcendem dogmas específicos.


Como Jesus ensinou: "Em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam" (Mateus 7:12). Este princípio universal, presente em praticamente todas as tradições espirituais, pode ser o fundamento ético para uma cultura organizacional inclusiva e espiritualmente nutritiva.


Sabe o que imagino para o futuro da Liderança Espiritualizada?  Que à medida que avançemos para um mundo cada vez mais complexo e interconectado, a dimensão espiritual da liderança torna-se-a não apenas desejável, mas essencial. Esse nosso tempo, exige propósito e significado no trabalho, não apenas remuneração. As crises globais exigem líderes que possam navegar não apenas com inteligência analítica, mas também com sabedoria espiritual.


Francisco de Mattos, que foi um autor que estudei muito para escrever meus artigos no mestrado, em sua obra sobre empresas com alma, argumenta que "o futuro pertence às organizações que conseguem integrar cabeça, coração e espírito". Esta integração não é um luxo, mas uma necessidade estratégica para a sustentabilidade organizacional no século XXI.


Bem! Como líderes, somos chamados a uma jornada de transformação ? primeiro de nós mesmos, depois de nossas organizações. Esta jornada começa com uma pergunta simples, porém profunda: "Qual é o propósito maior que dá sentido ao meu trabalho e à minha liderança?"


Jesus nos desafiou: "Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Marcos 8:36). Esta pergunta ressoa profundamente no contexto organizacional atual, onde muitos líderes sacrificam sua integridade, seus relacionamentos e sua saúde no altar do sucesso material e naquilo que o Lencioni chama de Ego e Status no topo da pirâmide





A liderança espiritualmente consciente oferece um caminho diferente ? um caminho onde o sucesso é medido não apenas por resultados financeiros, mas pelo impacto positivo nas pessoas, na sociedade e no planeta. Um caminho onde o trabalho se torna uma expressão de nossos valores mais profundos e uma oportunidade para manifestar nosso melhor eu.


Convido você a embarcar nesta jornada de integração da espiritualidade em sua liderança. Os desafios são reais, mas as recompensas ? para você, sua equipe e sua organização ? são imensuráveis. Como disse Jesus: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente" (João 10:10). Esta plenitude de vida é possível também no ambiente de trabalho, quando lideramos com consciência espiritual.


Continuo firme, trabalhando de forma profunda, mais em mim do que nos outros, na busca constante por saber quem sou e como me torno uma pessoa melhor a cada dia, focando sempre na minha melhor versão, e você?


Afinal, a liderança mais eficaz é aquela que, ao final da jornada, não apenas atingiu metas, mas transformou vidas e deixou um legado de excelência e propósito. Pois, como disse o filósofo, a única maneira de ficar no mundo é ficando nas pessoas.


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