Lembro-me do dia em que aconteceu a aula inaugural de um curso de pós-graduação de Políticas Públicas, um evento que desejo compartilhar com você. Acompanhe;
O secretário municipal Andrea Matarazzo, abordou a necessidade da melhoria no atendimento do serviço público. Neste dia ainda, ele relembrou que na ocasião em que foi diretor da Cesp, deu início a uma série de inovações.
Entre as mudanças, Matarazzo achou que a estrutura dos escritórios era desatualizada e impedia a interação entre as pessoas, em sua maioria enfiadas em salas fechadas. Assim, decidiu por derrubar as paredes e modernizar o ambiente com criatividade. Décadas atrás, quando nem mesmo imaginávamos a ideia de trabalho remoto, home office (pandi-office como gosto de chamar atualmente) ou atuar em ambientes de trabalho no estilo PIXLR (empresa de tecnologia), que criou espaços abertos para os profissionais interagirem e terem mais engajamento, um formato atípico do que vemos por aí, Matarazzo decidiu não mais enfileirar as mesas e quebrar os protocolos.
No entanto, ao invés de se sentir impulsionado, um funcionário com mais de 20 anos de casa e que tinha sua mesa colocada bem atrás de uma pilastra, entrou num processo de falta de motivação tão grande que foi obrigado a afastar-se temporariamente do serviço. Ele definitivamente estava se sentindo arruinado pela mudança.
Muitos de nós, poderia dizer que essa mudança de ambiente é maravilhosa, boa e revolucionária, que certamente traria grandes benefícios. Mas quando lideramos, é importante levarmos em conta a diversidade, principalmente a geracional, em que os nascidos na geração Baby Boomers demonstram grande resistência à mudanças, por exemplo.
Voltando ao exemplo da PIXLR, embora ela tenha criado espaços abertos para modernizar as interações, impulsionar a criatividade e engajar os colaboradores, ela também entendeu a diversidade e a importância de preservar o perfil dos colaboradores W, Y e Z, mantendo salas casuais, fechadas e até mesmo solitárias para engenheiros e criadores se isolarem e produzir com efetividade, conforme seu perfil comportamental.
De fato, as mudanças podem realmente provocar as mais diferentes reações. Entretanto, num cenário político, econômico e social em constante evolução, o medo de mudar pode representar o fim de uma carreira, simplesmente porque hoje nada é mais estático como era há poucos anos. Cabe a liderança adequar a diversidade.
O acesso à informação, à alta tecnologia, aos avanços científicos e à concorrência estão a cada dia mais acirrados, nos impulsionando a modificar e mudar comportamentos e padrões estabelecidos. Mas a pergunta que não quer calar é: como inteirar as gerações que detestam mudanças? Treinamento, é a resposta.
Hoje não há mais espaço para o profissional que, com medo de mudar, deixa sua vida estagnada, sem reciclar conhecimentos, melhorar sua performance, aumentar suas habilidades ou simplesmente rever seus conceitos, avaliando o que merece ser descartado e o que deve ser agregado. E como obter tudo isso? Investindo tempo, dinheiro e energia em continuar aprendendo, conhecendo e evoluindo. Neste caso, treinamento, consultorias e estratégias de coaching e mentoring podem ser a solução.
Se no passado as transformações demandavam décadas de análises e estudos, na Era tecnológica as mudanças ocorrem com uma rapidez incrível. Portanto, o medo do novo poderá ter resultados bastante negativos, seja em nossa vida profissional ou pessoal. E pior que o medo de mudar é a estagnação.
Segundo o consultor americano William Bridges, existem algumas dicas que podemos adotar para o processo de transição. São eles:
Esqueça o velho jeito de sempre ? Antes de iniciar um processo de mudança, é preciso romper com os padrões antigos, seja de forma gradual ou repentina. Saiba que aquilo que é tradicional não é arcaico e ser antigo, não significa ser velho.
Pesquisas recentes alegam que o desgaste maior não é com a mudança em si, mas com o período de transição e de adaptação. Algumas pessoas não conseguem enfrentar esse período de transição sozinhas. Se esse for o caso, peça ajuda profissional para implantar a mudança na empresa ou na vida.
Seja paciente ? Reorientar-se para descobrir novas formas de trabalhar ou de se relacionar demandam tempo, paciência e flexibilidade. O período de transição entre o velho e o novo pode também ser um período complexo, portanto, não queira vivenciar a mudança da noite para o dia. Aproveite o percurso de mudança, já que ele é rico em conhecimento, criatividade e motivação. Se a zona de conforto do antigo não nos conferia nenhuma motivação para novas empreitadas, o novo com certeza nos sugere desafios que consolidarão o processo de mudança.
Antes de definir mudanças, veja os dois lados da moeda ? Mudar é difícil e ponto. Mas isso não significa que não devemos adotá-la. No entanto, na hora de estabelecer mudanças, seja na vida pessoal, profissional ou na corporação, leve em consideração a diversidade, as gerações e dificuldades pessoais de cada colaborador/setor. Forneça flexibilidade para adaptar as diferenças e continuar recebendo retorno de todos os membros.
Vá implantando as mudanças aos poucos ? Invariavelmente, as pessoas aceitam melhor as mudanças quando compreendem o que está acontecendo, o que está sendo mudado e o porquê de tudo isso. O segredo dos maiores líderes de mudanças, sejam elas organizacionais, políticas ou sociais, é o de motivar e encorajar todos os envolvidos em abandonar o velho e aceitar os novos desafios que estão chegando, trabalhando isso aos poucos.
Respeite as fases de transição ? Toda mudança passa, necessariamente, por três fases: (1) Encerramento do velho, (2) Transição, e (3) Início do novo. Entretanto, cada pessoa tem seu próprio tempo para vivenciar cada uma dessas fases. Portanto, respeite o ritmo de sua equipe ou o próprio tempo para que no final do processo você não esteja desgastado e frustrado com os períodos que poderiam ser enriquecedores e se perderam ou deram errado, como o caso do Matarazzo, que teve um funcionário que precisou se afastar do cargo por não ter se adaptado às mudanças.
Escrevi este texto de uma cadeira que também me incomoda ou seja, a mudança também é difícil e desafiadora para mim, entretanto sou muito adepto às mudanças e as rápidas adaptações para que possa ficar vivo e continuar lutando em um mundo repleto de adversidades, desafios e obstáculos.
Por fim, lembre-se, parafraseando Darwin: Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.
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